A literatura atual que reconstrói e narra partes do passado traumático brasileiro é também uma tentativa de enfrentar e explicar as formas da violência contemporânea. Um dos momentos sombrios do passado brasileiro é o dos 21 anos da ditadura militar. Duas autoras que não viveram pessoalmente esses eventos, Liniane Haag Brum e Adriana Lisboa, decidem escrever sobre esse momento histórico e sobre o seu “buraco negro”, representado pela brutal repressão da guerrilha do Araguaia. Embora sejam dois textos diferentes, escritos a partir de escolhas e motivações diferentes, eles são aproximados por um lado pelo desafio de contar uma parte da história de violência do próprio país a partir de uma precisa temporalidade escolhida, aquela do presente em que as autoras vivem (do “tempo do pós”); por outro lado pela capacidade de estruturação ficcional de uma relação íntima entre duas personagens que permite tentar o preenchimento do silêncio causado pelo trauma passado e a encenação de um processo de construção da pós-memoria. A narração gerada por essa escrita ficcional entre quem viveu no tempo da violência e quem tenta entender o que foi restitui a experiência da violência para quem nasceu “depois”.

Representar a violência do passado no presente: narrações da guerrilha do Araguaia

Alessia Di Eugenio
2020

Abstract

A literatura atual que reconstrói e narra partes do passado traumático brasileiro é também uma tentativa de enfrentar e explicar as formas da violência contemporânea. Um dos momentos sombrios do passado brasileiro é o dos 21 anos da ditadura militar. Duas autoras que não viveram pessoalmente esses eventos, Liniane Haag Brum e Adriana Lisboa, decidem escrever sobre esse momento histórico e sobre o seu “buraco negro”, representado pela brutal repressão da guerrilha do Araguaia. Embora sejam dois textos diferentes, escritos a partir de escolhas e motivações diferentes, eles são aproximados por um lado pelo desafio de contar uma parte da história de violência do próprio país a partir de uma precisa temporalidade escolhida, aquela do presente em que as autoras vivem (do “tempo do pós”); por outro lado pela capacidade de estruturação ficcional de uma relação íntima entre duas personagens que permite tentar o preenchimento do silêncio causado pelo trauma passado e a encenação de um processo de construção da pós-memoria. A narração gerada por essa escrita ficcional entre quem viveu no tempo da violência e quem tenta entender o que foi restitui a experiência da violência para quem nasceu “depois”.
Alessia Di Eugenio
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Utilizza questo identificativo per citare o creare un link a questo documento: http://hdl.handle.net/11585/814395
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