Dentro da Seinsfrage, a questão do ser, surge a Werfrage, a questão do «quem». Quem é este «quem»? Ou, por outras palavras, quem sou eu? Ao questionar o ser, questionamo-nos inevitavelmente a nós próprios. Mas se-ria possível conceber a Werfrage antes ou, no limite, em tensão com a Seins-frage? Esta interrogação, por paradoxal que pareça, tem legitimidade histo-riográfica, se considerarmos que a «antropologia fenomenológica», tal co-mo a concebeu o jovem Heidegger, precede a formulação da Seinsfrage. Desde os seus primeiros cursos em Freiburg (1919/20), Heidegger procura estabelecer um acesso à subjetividade entendida em termos de «ipseidade mundana», através de uma análise da Allgemeine Psychologie de Natorp. Ao criticar Natorp, que negava sem reservas tal possibilidade, Heidegger acaba, no entanto, por concordar com mais do que uma das teses da Allge-meine Psychologie. Esta é a nossa hipótese de leitura: o eu, para o jovem Heidegger, só existe à custa de uma tensão entre facticidade e existência; uma tensão que, aos olhos de Natorp, conduz à constatação de que o eu, em sentido estrito, não pode ser – o que nos permitiria pôr em evidência o ca-rácter problemático da relação entre ipseidade e mundo no seio da qual a formulação da Werfrage encontra a sua condição de possibilidade.

Mariani, E. (2025). Ser-aí sem existir. O jovem Heidegger leitor de Natorp. São Paulo : Editora Saber Criativo.

Ser-aí sem existir. O jovem Heidegger leitor de Natorp

Emanuele Mariani
2025

Abstract

Dentro da Seinsfrage, a questão do ser, surge a Werfrage, a questão do «quem». Quem é este «quem»? Ou, por outras palavras, quem sou eu? Ao questionar o ser, questionamo-nos inevitavelmente a nós próprios. Mas se-ria possível conceber a Werfrage antes ou, no limite, em tensão com a Seins-frage? Esta interrogação, por paradoxal que pareça, tem legitimidade histo-riográfica, se considerarmos que a «antropologia fenomenológica», tal co-mo a concebeu o jovem Heidegger, precede a formulação da Seinsfrage. Desde os seus primeiros cursos em Freiburg (1919/20), Heidegger procura estabelecer um acesso à subjetividade entendida em termos de «ipseidade mundana», através de uma análise da Allgemeine Psychologie de Natorp. Ao criticar Natorp, que negava sem reservas tal possibilidade, Heidegger acaba, no entanto, por concordar com mais do que uma das teses da Allge-meine Psychologie. Esta é a nossa hipótese de leitura: o eu, para o jovem Heidegger, só existe à custa de uma tensão entre facticidade e existência; uma tensão que, aos olhos de Natorp, conduz à constatação de que o eu, em sentido estrito, não pode ser – o que nos permitiria pôr em evidência o ca-rácter problemático da relação entre ipseidade e mundo no seio da qual a formulação da Werfrage encontra a sua condição de possibilidade.
2025
Ontologia (hermenêutica da facticidade)
71
106
Mariani, E. (2025). Ser-aí sem existir. O jovem Heidegger leitor de Natorp. São Paulo : Editora Saber Criativo.
Mariani, Emanuele
File in questo prodotto:
File Dimensione Formato  
MARIANI, Emanuele - Ser-aí sem existir - publicado [compressed].pdf

accesso riservato

Descrizione: Capitolo
Tipo: Versione (PDF) editoriale / Version Of Record
Licenza: Licenza per accesso riservato
Dimensione 19.98 MB
Formato Adobe PDF
19.98 MB Adobe PDF   Visualizza/Apri   Contatta l'autore

I documenti in IRIS sono protetti da copyright e tutti i diritti sono riservati, salvo diversa indicazione.

Utilizza questo identificativo per citare o creare un link a questo documento: https://hdl.handle.net/11585/959535
 Attenzione

Attenzione! I dati visualizzati non sono stati sottoposti a validazione da parte dell'ateneo

Citazioni
  • ???jsp.display-item.citation.pmc??? ND
  • Scopus ND
  • ???jsp.display-item.citation.isi??? ND
social impact