A permeabilidade do pensamento de Eduardo Lourenço à Península ibérica como problema e às correntes dominantes do pensamento espanhol (Unamuno, Ortega etc.) permite ao crítico criar figuras analíticas originais e engenhosas que sintetizam um diálogo e um fluxo consistentes de ideias subterrânas que finalmente encontram, pela mediação lúcida do ensaio, uma abertura crítica e uma emersão. Figuras que retomam a força dos paradoxos herdada de autores como Oliveira Martins: "nada nos separa da Espanha senão a nossa própria semelhança, de diferente maneira assumida e vivida" ("Portugal-Identidade e imagem"). A reflexão que si propõe tenta aprofundar uma possível tangência entre uma crítica imagológica da "Ibéria" (ou da "Hispania"), ou seja, do emaranhado de relações peninsulares e a articulação de um pensamento - agudo, original, cheio de tensões- sobre o trágico. Em particular, da relação entre o trágico da tragédia (ontológico no pensamento de Eduardo Lourenço) e um outro trágico como tema urgente e controverso da modernidade. Um esforço hermenêutico sofisticado e potente que surge das tramas menos aparentes de Portugal e Espanha para interrogar aquele "algo" que se carateriza pela "falta do nome" (Unamuno) e desafia a pensar, radicalmente, um tempo que é antes de tudo pensinsular.

A península ocidental e um pensamento sem nome: o iberismo trágico de Eduardo Lourenço

Roberto Vecchi
2021

Abstract

A permeabilidade do pensamento de Eduardo Lourenço à Península ibérica como problema e às correntes dominantes do pensamento espanhol (Unamuno, Ortega etc.) permite ao crítico criar figuras analíticas originais e engenhosas que sintetizam um diálogo e um fluxo consistentes de ideias subterrânas que finalmente encontram, pela mediação lúcida do ensaio, uma abertura crítica e uma emersão. Figuras que retomam a força dos paradoxos herdada de autores como Oliveira Martins: "nada nos separa da Espanha senão a nossa própria semelhança, de diferente maneira assumida e vivida" ("Portugal-Identidade e imagem"). A reflexão que si propõe tenta aprofundar uma possível tangência entre uma crítica imagológica da "Ibéria" (ou da "Hispania"), ou seja, do emaranhado de relações peninsulares e a articulação de um pensamento - agudo, original, cheio de tensões- sobre o trágico. Em particular, da relação entre o trágico da tragédia (ontológico no pensamento de Eduardo Lourenço) e um outro trágico como tema urgente e controverso da modernidade. Um esforço hermenêutico sofisticado e potente que surge das tramas menos aparentes de Portugal e Espanha para interrogar aquele "algo" que se carateriza pela "falta do nome" (Unamuno) e desafia a pensar, radicalmente, um tempo que é antes de tudo pensinsular.
A raia na água. Eduardo Lourenço e o mundo hispânico
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Roberto Vecchi
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