Vários mitos foram elaborados em torno da figura de Patrícia Galvão. Por um lado a imagem libertária da jovem “Pagu”, mulher fascinante, livre e transgressora das regras conservadoras das décadas de 1920 e 1930 (imagem que acabou glamourizando-se em minisséries televisivas, balés, músicas etc.). Por o outro a imagem da “musa trágica da revolução”, como a definiu Carlos Drummond de Andrade, mulher melancólica, derrotada e decepcionada na vida adulta, que acabou por confirmar a característica da “fragilidade”, física e emocional, atribuída ao próprio ser mulher. Estas duas imagens se alternaram e algumas vezes se combinaram, em detrimento de uma valorização aprofundada e mais complexa da sua obra e do seu caminho intelectual no âmbito da política cultural da época. É a partir do seu texto memorialístico, a longa carta endereçada ao companheiro Geraldo Ferraz, escrita também na prisão e publicada somente em 2005, que é realmente possível reconstruir a sua trajetória e entender o significado e o papel da escrita na sua “vida-obra”. Este texto, apresentando-se como depoimento, conto de si e de memórias, permite relacionar e confrontar esta “narração de si”, construída e desejada pela autora, com os vários mitos citados que foram, posteriormente, elaborados sobre ela. A leitura da carta permite também uma análise do papel da escrita na sua vida e militância: escrita como missão, necessária à vida e pensada para “inquietar”. Daqui a possibilidade de considerar em conjunto, como ligadas a um mesmo propósito transformador, as suas diferentes obras.

A Carta-depoimento de Patrícia Galvão: poder da escrita, narração de si e desconstrução de imagens mitológicas.

Alessia Di Eugenio
2019

Abstract

Vários mitos foram elaborados em torno da figura de Patrícia Galvão. Por um lado a imagem libertária da jovem “Pagu”, mulher fascinante, livre e transgressora das regras conservadoras das décadas de 1920 e 1930 (imagem que acabou glamourizando-se em minisséries televisivas, balés, músicas etc.). Por o outro a imagem da “musa trágica da revolução”, como a definiu Carlos Drummond de Andrade, mulher melancólica, derrotada e decepcionada na vida adulta, que acabou por confirmar a característica da “fragilidade”, física e emocional, atribuída ao próprio ser mulher. Estas duas imagens se alternaram e algumas vezes se combinaram, em detrimento de uma valorização aprofundada e mais complexa da sua obra e do seu caminho intelectual no âmbito da política cultural da época. É a partir do seu texto memorialístico, a longa carta endereçada ao companheiro Geraldo Ferraz, escrita também na prisão e publicada somente em 2005, que é realmente possível reconstruir a sua trajetória e entender o significado e o papel da escrita na sua “vida-obra”. Este texto, apresentando-se como depoimento, conto de si e de memórias, permite relacionar e confrontar esta “narração de si”, construída e desejada pela autora, com os vários mitos citados que foram, posteriormente, elaborados sobre ela. A leitura da carta permite também uma análise do papel da escrita na sua vida e militância: escrita como missão, necessária à vida e pensada para “inquietar”. Daqui a possibilidade de considerar em conjunto, como ligadas a um mesmo propósito transformador, as suas diferentes obras.
DE ORIENTE A OCIDENTE: ESTUDOS DA ASSOCIAÇÃO INTERNACIONAL DE LUSITANISTAS. VOLUME IV ESTUDOS DA AIL SOBRE O BRASIL
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Alessia Di Eugenio
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