O presente artigo considera as cartas escritas por António Lobo Antunes à sua primeira esposa entre 1971 e 1973 e as cartas escritas por Amílcar Cabral à sua segunda esposa, Ana Maria, entre 1966 e 1972 (a coincidência temporal motivou a decisão de excluir, em grande parte, as cartas de Cabral à sua primeira esposa, Maria Helena, escritas antes do início das guerras coloniais, entre 1959 e 1960). Trata-se de cartas de amor escritas no contexto das guerras de libertação contra o colonialismo português. Nesse contexto, a dimensão privada e pessoal das cartas contribui para enriquecer as escritas e literaturas que surgiram após o 25 de Abril de 1974, procurando preencher o vazio historiográfico em torno da experiência da guerra colonial. Com base em estudos críticos sobre a comunicação epistolar e sobre a correspondência dos dois autores em análise, este texto procura refletir sobre os significados que as cartas assumem enquanto instrumento e ato, observando as sobreposições entre o pessoal e o político num tempo e espaço coloniais.
Di Eugenio, A. (2026). Pessoal, político, colonial: António Lobo Antunes e Amílcar Cabral no labirinto íntimo das cartas de amor. Porto : Autores e Edições Afrontamento.
Pessoal, político, colonial: António Lobo Antunes e Amílcar Cabral no labirinto íntimo das cartas de amor
Alessia Di Eugenio
2026
Abstract
O presente artigo considera as cartas escritas por António Lobo Antunes à sua primeira esposa entre 1971 e 1973 e as cartas escritas por Amílcar Cabral à sua segunda esposa, Ana Maria, entre 1966 e 1972 (a coincidência temporal motivou a decisão de excluir, em grande parte, as cartas de Cabral à sua primeira esposa, Maria Helena, escritas antes do início das guerras coloniais, entre 1959 e 1960). Trata-se de cartas de amor escritas no contexto das guerras de libertação contra o colonialismo português. Nesse contexto, a dimensão privada e pessoal das cartas contribui para enriquecer as escritas e literaturas que surgiram após o 25 de Abril de 1974, procurando preencher o vazio historiográfico em torno da experiência da guerra colonial. Com base em estudos críticos sobre a comunicação epistolar e sobre a correspondência dos dois autores em análise, este texto procura refletir sobre os significados que as cartas assumem enquanto instrumento e ato, observando as sobreposições entre o pessoal e o político num tempo e espaço coloniais.I documenti in IRIS sono protetti da copyright e tutti i diritti sono riservati, salvo diversa indicazione.



